Em uma carreira na qual a vaidade e o status imperam o principal segredo para se destacar é justamente manter os pés no chão.
 Cecília Bradley, 34 anos, aconselha seus alunos a não receber menos de R$ 200 por noite. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press |
O conselho é da DJ Cecília Bradley, 34 anos, que, com quase 10 anos de experiência, acumula no currículo passagens por grandes casas noturnas do estado. Para ela é importante a qualificação desse profissional e mais ainda, a noção do verdadeiro papel dele dentro de um evento.
"O que DJ significa? Disc jockey, que é a pessoa que opera o som. Então o DJ tem como função colocar o som. Trazer a música para o evento", afirma Cecília, completando: "Muita gente confunde achando que esse profissional também aluga o som. Ele pode até fazer isso, se no futuro sentir a necessidade de ter seu próprio equipamento. Mas é bom saber que assim ele vai trabalhar mais. O DJ vai ter que tomar todos os cuidados para que nada dê errado na festa e ainda terá que ficar até o final, porque o equipamento é seu", alerta Bradley, que começou na carreira quase por acaso. "Sempre fui muito comunicativa, então um amigo me chamou para ser promoter da Hype, e a partir dali comecei a conhecer os DJs de fora", conta.
Na mesma época Cecília já tinha cursado direito e turismo, mas foi no mundo das picapes que ela se encontrou. "Aí comecei a aprender como se mexia com aquilo. No começo senti muita dificuldade e para ser bem sincera, tinha total noção da minha deficiência", afirma. Hoje, Bradley não aconselha os novos talentos a fazerem o mesmo que ela. "Eu tinha uma técnica falha, que só aperfeiçoei depois que casei com Renato (Aguiar, seu sócio no Instituto de Música Eletrônica de Pernambuco). Agora com dedicação e vontade as pessoas conseguem ser um bom DJ. Cada um tem seu tempo. O importante é querer se qualificar", avisa a DJ que para o Guia de Profissões fala um pouco sobre o mercado de trabalho e da importância de ter os pés no chão.
Qual o perfil de um DJ?
Não existe muito um perfil específico. O principal é gostar de música. Também é preciso ter uma boa rede de relacionamentos, ser simpático, porque nesse meio você tem que saber se vender. E outra questão é que não pode ter medo de gente.
Quanto um DJ pode ganhar por noite?
Não existe um salário fixo, mas não aconselho nenhum dos meus alunos a receber menos de R$ 200 por evento. Mas essa é a minha opinião, é o que eu acho. Tem gente que toca cobrando R$ 50. Aí vai de cada um saber negociar. DJ bom não é aquele que toca barato, mas aquele que atende aos pré-requisitos.
Como é o mercado de trabalho nessa área?
É um mercado que você tem que correr atrás. Dá para trabalhar tanto nas boates, quanto na parte de eventos. Hoje tem muita gente querendo entrar nesse mercado, mas dá para abrir seu espaço aos poucos. Basta se qualificar para isso.
Dá para só ser DJ ou é preciso uma outra profissão?
Ser DJ é um bom complemento de renda. Mas se você souber se trabalhar, como entrar no mercadode trabalho, dá sim para viver disso.
Qual conselho daria para quem quer começar na carreira?
Comece com os pés no chão. Humildade nessa carreira é tudo. Porque, hoje, existe um problema muito grande no meio que é essa questão de ego. Ser DJ é uma profissão como outra qualquer e que tem que ser levada a sério.
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